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04
set
2020

Normas e parâmetros brasileiros ainda utilizam apenas os adultos como referência

crianças em sala de aula
As crianças fazem parte das populações mais vulneráveis e que sofrerão maiores dificuldades de adaptação às mudanças climáticas. Na imagem, registro do interior de sala de aula, em escola da rede pública de João Pessoa.

Pesquisadoras do Laboratório de Conforto Ambiental (Labcon) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) publicaram o artigo “Thermal and visual comfort of schoolchildren in air-conditioned classrooms in hot and humid climates” para alertar sobre as dificuldades do conforto térmico e visual de estudantes em salas de aula com ar-condicionado, nas regiões de clima quente e úmido.

A análise foi realizada em seis escolas da Rede Municipal de Ensino de João Pessoa, no ano de 2018. Os resultados de três delas foram selecionados para a elaboração do artigo das pesquisadoras da UFPB.

O artigo – escrito pelas pesquisadoras do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFPB, Barbara Lumy Noda, Amanda Pessoa Lima, Jullyanne Ferreira, Solange Leder e Luana Quirino – analisou respostas de 97 crianças, de 9 a 11 anos de idade, que estudam na rede pública de ensino de João Pessoa.

Os estudantes responderam questionários que continham perguntas a respeito de sensação e preferência do ambiente na perspectiva de climatização e iluminação.

“Quanto ao conforto visual, os resultados destacaram a dificuldade de alcançar valores de iluminância homogênea, ainda que as escolas possuam salas de aula com aspectos físicos padronizados (em tamanho, número e tipo de aberturas, superfícies)”, explica Lumy Noda.

A pesquisadora da UFPB conta que características, como a orientação do edifício, ângulo e posição solar e a iluminação artificial complementar disponível, podem afetar os resultados de escolas em distintas localidades da cidade. Ela ressalta que, em relação aos parâmetros térmicos, o efeito pode ser de piora do desconforto.

“Embora o ar-condicionado seja utilizado como estratégia para amenizar o desconforto de altas temperaturas do clima quente e úmido, as opiniões das crianças demonstraram que a sensação de conforto não foi unânime. Houve alto percentual de desconforto devido às baixas temperaturas (34,01%), ao mesmo tempo que foram relatados incômodos em altas temperaturas (30,93%)”.

O fato pode ser explicado, afirma Lumy Noda, diante das normas e parâmetros, existentes sobre conforto visual e  térmico nas edificações, utilizarem o adulto como referência.

Para a pesquisadora da UFPB, os resultados encontrados no estudo – assim como as lacunas –  indicam a relevância de conduzir estudos mais aprofundados sobre as opiniões das crianças.

“Os resultados da pesquisa e publicação do artigo são importantes para o avanço do conhecimento científico em relação ao conforto térmico e lumínico em clima quente e úmido. Nesse sentido, o trabalho foi submetido ao Building and Environment Journal, em maio de 2020, avaliado por pares e aprovado para publicação no mês de julho”, destaca Lumy.

A Building and Environment é, segundo a pesquisadora da UFPB, uma revista internacional que publica pesquisas originais e artigos de revisão relacionados à ciência da construção, física urbana e interação humana com o ambiente interno e externo.

Lumy Noda relata que discussões sobre a temática constam no âmbito do projeto “Percepção e sensação de conforto térmico e lumínico em grupos vulneráveis: estudo com crianças do Ensino Fundamental”, coordenado pela pesquisadora e professora da UFPB Solange Leder.

“O conteúdo surgiu a partir da Avaliação do Painel Intergovernamental de Mudança Climática, realizado pelo Ministério da Saúde em 2009. Na ocasião, foram identificadas crianças como parte das populações mais vulneráveis. Elas sofrerão maiores dificuldades de adaptação às mudanças climáticas. E ainda são poucos os estudos de conforto ambiental realizados com crianças no Nordeste brasileiro”, endossa a pesquisadora da UFPB.

Ascom/UFPB


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