sáb
01
maio
2021

André de Pinh e Lorenza

Procurador diz que André de Pinho deu a Lorenza remédios de uso controlado em quantidade excessiva e lhe serviu cachaça. Como ela não morreu com as drogas, o promotor a enforcou com as próprias mãos, narra Joaquim de Carvalho.

Joaquim de Carvalho

O promotor André Luís Garcia de Pinho foi denunciado por feminicídio, juntamente com dois médicos, Itamar Tadeu Gonçalves Cardoso e Alexandre Figueiredo Macial, que assinaram atestado de óbito falso.

A denúncia, de 11 páginas , é assinado pelo procurador-geral de Justiça de Minas Gerais, Jarbas Soares Júnior, e descreve uma noite de horror no apartamento em que o promotor de Justiça morava com a esposa, no bairro Buritis, em Belo Horizonte.

Segundo documentos e testemunhos colhidos pela Procuradoria Geral de Justiça, entre a noite do dia1o. e a madrugada  de 2 de abril deste ano, André envenenou Lorenza e a fez beber cachaça para que a interação medicantosa e álcool a levasse à morte.

Como a quantidade ingerida não foi suficiente para matá-la, o promotor a enforcou com as próprias mãos. Depois disso, ele telefonou para o plantão do hospital Mater Dei e pediu atendimento em sua residência.

O médico que esteve lá, Itamar Tadeu Gonçalves Cardoso, já encontrou Lorenza em rigidez cadavérica, segundo narra a denúncia.

No entanto, fez constar no prontuário médico que seu corpo tinha atividade elétrica, embora sem pulso. Informação falsa, já que ele não tinha equipamento para fazer esse diagnóstico.

Segundo o MP, ele também mentiu quanto à descrição de engasgo com o próprio vômito. Além disso, conseguiu a assinatura de um segundo médico, Alexandre Figueiredo Macial, para endossar a farsa e permitir que o corpo de Lorenza fosse cremado.

A cremação só não ocorreu porque um delegado, informado de que poderia ter sido homicídio, exigiu que o corpo passasse pela necropsia, que constatou o homicídio.

Os médicos Itamar e Figueiredo foram denunciados por falsidade ideológica.

Além de feminicídio, o promotor vai responder por expor os filhos menores a risco, já que um revóvler de sua propriedade foi encontrado em um armário da casa, carregado, e ao alcance das crianças.

O caso chama a atenção também por envolver uma autoridade que foi decisiva na estratégia de silenciar adversários de Aécio Neves em 2014.

Foi André de Pinho, na época bem relacionado com o procurador-geral de Justiça, quem conseguiu colocar na cadeia o dono do Novojornal, Marco Aurélio Carone, que publicava denúncias contra Aécio Neves.

Também obteve mandado de prisão contra o lobista Nílton Monteiro, delator do chamado Mensalão Mineiro e Lista de Furnas.

O promotor também conseguiu mandado de busca e apreensão na casa do jornalista Geraldo Elísio, editor do Novojornal.

André de Pinho obteve medida para que a polícia fizesse buscas na casa e no escritório do advogado Dino Miraglia, que havia atuado como assistente de acusação no caso do assassinato da modelo Cristiane Ferreira, apontada como "mula" do esquema de corrupção e poder de Aécio Neves.

A vida de todos eles virou de cabeça para baixo depois dessa ação — que a Justiça consideraria, anos depois, sem fundamento, já que foram todos absolvidos.

Nílton e Carone foram soltos quatro dias depois de Aécio perder a eleição para Dilma Rousseff, em 2014.

O caso também joga foco no hospital Mater Dei, por ser associado ao tratamento de overdose de coacaína quando Aécio Neves era governador.

O hospital nega que o então governador tenha sido internado lá por overdose. Confirma a internação, mas diz que o motivo era outro, uma patologia no joelho.

A denúncia contra Pinho atribui o feminicídio ao desgaste do casamento, resultado de dificuldades financeiras que o casal vinha enfrentando, inclusive para comer.

O casal chegou a morar num apartamento de luxo, avaliado em 4 milhões de reais, comprado pouco depois da prisão e das buscas nos endereços dos adversários de Aécio.

André de Pinho pagou as primeiras parcelas, no valor aproximado de 1 milhão de reais e depois ficou inadimplente.

Por conta de denúncias de ameaças a creddores e outros abusos, o promotor foi colocado em dispnibilidade. André de Pinho continuava recebendo salário acima de 20 mil reais, quantia que seria insuficiente para o padrão de vida da família.

A denúncia descreve ainda a suspeita de Lorenza de caso extraconjugal do promotor — que teria tido caso com uma procuradora, que não aparece na denúncia.

André de Pinho, por supostamente ter servido a esquema de poderosos em Minas Gerais, seria detentor de informações explosivas.

Como não conseguiu emplacar a farsa da morte natural da esposa, é possível que queira falar.

Algum procurador vai querer tomar esse depoimento? Seria importante para que Minas Gerais virasse a página de uma história de corrupção, impunidade e crimes de sangue.

Brasil 247


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