seg
09
set
2019

gilmar mendes-LULA

Autor da decisão que barrou a nomeação de Lula para a Casa Civil em 2016, o ministro Gilmar Mendes, do STF, criticou a manipulação feita por procuradores da Lava Jato e pelo ex-juiz Sérgio Moro, que desconsideraram 21 diálogos em que Lula tenta reconstruir a governabilidade do governo Dilma Rousseff. "É muito estranho que somente um pedaço do fato e não sua inteireza tenha sido divulgado à época", disse Gilmar, que defendeu, no entanto, sua decisão à época.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes disse não se arrepender da decisão que tomou ao determinar a suspensão da nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro da então presidente Dilma Rousseff devido ao vazamento de conversas grampeadas e divulgadas irregularmente pela Lava Jato. “É muito estranho que somente um pedaço do fato e não sua inteireza tenha sido divulgado à época, disse Gilmar ao jornal Folha de S. Paulo.

A declaração de Gilmar Mendes vem na esteira da divulgação de um novo episódio da Vaza Jato, pelo site The Intercept, que coloca em xeque a afirmação feita por procuradores da Lava Jato de que a nomeação visava obstruir as investigações.

O ministro justificou a decisão que suspendeu a nomeação de Lula ao ressaltar que “as informações disponíveis na época permitiam concluir que havia um viés de fraude na nomeação, um desvio de finalidade, e foi esse o sentido da decisão”.

A reportagem do Intercept, divulgada em parceria com a Folha de S. Paulo, apontam que os procuradores da Lava Jato vazaram propositadamente apenas um dos diálogos, o que foi travado entre Lula e Dilma, enquanto outros que demonstravam que Lula estava relutante em aceitar o cargo foram ignorados.

Ainda segundo a reportagem os diálogos foram interceptados após a PF e as operadoras de telefonia já estarem de posse de decisões que determinavam as suspensões dos grampos. Ainda assim, o ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sérgio Moro, determinou o levantamento do sigilo do áudio entre Dilma e Lula.

"Seria preciso ter todas as informações disponíveis e analisá-las em seu devido contexto", disse Gilmar sobre o assunto. "Mas é muito estranho que somente um pedaço do fato e não sua inteireza tenha sido divulgado à época", completou.

"O importante agora é organizar uma fuga para frente", ressaltou. Para ele, “todas essas revelações estão expondo falhas no nosso sistema judicial, que permitiram abusos e mostram a necessidade de maior controle. Todos temos de fazer uma revisão".

Brasil 247


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